Carta de Joaquim Ferreira Gomes – padre para o seu tio António Ferreira Gomes - bispo do Porto exilado, informando que se encontra em “…Lovaina, como bolseiro, a estudar Psicologia, enviado pela Faculdade de Letras de que sou assistente.”; indica um “…grave problema interno da Igreja…dos despadrados.” que numeram os “…20 000 padres despadrados…”, receia que este problema não seja abordado no Concílio Vaticano II, pergunta “Porque não resolve a Igreja este problema?” e exorta que o Papa resolva este problema através duma declaração “…«Todos os despadrados podem casar-se religiosamente e ser reintegrados na comunidade eclesial», porque não faz?”; aponta outro problema relacionado com o anterior “…porque é que os religiosos (mesmo de votos solenes e perpétuos) podem, em certas circunstâncias, ser dispensados dos seus votos e os sacerdotes não podem ser dispensados do celibato?”; reflete que o “…problema dos despadrados está inteiramente relacionado o do celibato…O problema do celibato é extramente complexo: para além do seu aspeto prático…há um problema teórico, um problema de antropologia…há na formulação da lei do celibato influencias para-cristãs, extra-cristãs e contra cristãs…pitagorismo, platonismo, gnosticismo, maniqueísmo, neoplatonismo, augustinismo…”
Conclui indagando “…no mundo de hoje, as ciências e técnicas, as associações nacionais e internacionais, fazem um esforço colossal para tornar a peregrinação do homem por este vale de lágrimas mais humana…Porque é que a Igreja lhes não segue o caminho?”, Lovaina, 1962-01-15
Buenos Aires - Argentina
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PT FS AFG/F/C/02/02/004
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1962-01-15
Parte de António Ferreira Gomes