Carta de Manuel Vieira Pinto – padre para António Ferreira Gomes – bispo do Porto exilado relatando que “Temos continuado a trabalhar e o Senhor tem fecundado as nossas iniciativas; as Conferências do Pavilhão dos Desportos fizeram bem a Lisboa e tornarem possível o diálogo entre muitos. Continuamos a pregar a necessidade de diálogo na verdade, na justiça, na caridade e na liberdade para construirmos um autêntico Mundo Melhor.” Todavia este trabalho foi “… muito difícil…”; sintetiza o trabalho realizado até agora “A nossa união continua com os seus altos e baixos, mas como experiência parece-me bastante válida.”, conclui informando que gostaria de visitar o bispo do Porto na Alemanha todavia não lhe é possível, Movimento por um Mundo Melhor, Lisboa, 1964-07-29
Manuel Silva Vieira PintoValência - Espanha
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Carta de Manuel Vieira Pinto – padre para António Ferreira Gomes – bispo do Porto exilado informando que “...aqui o mesmo ritmo de trabalho e as mesmas preocupações.”, continua “Este ano, o grande campo de apostolado para o padre Lombardi, será especialmente a América do Sul.”, relata que “Terei oportunidade de passar algum tempo com V. Ex.ª…Partirei…dia 28 e logo que me seja possível irei à Valencia.”, Centro Internazionale Pio XII per un Mondo Migliore, Rocha do Papa – Roma, 1959-08-07
Manuel Silva Vieira PintoCarta de Domingos de Pinho Brandão – padre para António Ferreira Gomes - bispo do Porto exilado relatando o modo como tem sofrido com as alterações na direção do seminário. E as acusações de traição que lhe foram feitas. Indica ainda que o Cónego Valente está morrer.
BRANDÃO, Domingos de PinhoCarta de António Ferreira Gomes Bispo do Porto exilado para Herbert Auhofer – editor e diretor da revista “Herder-Korrespondenz” agradecendo pelo envio do nº de Março da HERDER_KORRESPONDENZ e refere um artigo da revista “…o artigo em que se ocupa do meu caso mereceu-me a melhor atenção…redigido com muita simpatia pessoal e com muito amor pela Igreja…”
Refere também a “…entrevista publicada pelo Corriere della Sera sob o título de «Retrato de Salazar»…fala dos padres jovens que vão a Roma estudar…que impedem…catolicismo nacionalizado e portugalizado!!....”
Conclui solicitando “…o favor de transmitir à Administração da H.-K. o meu desejo de ter uma assinatura a partir de agora…”, Valência, 1960-04-13
Carta de Rafael González Moralejo – bispo auxiliar de Valência para António Ferreira Gomes - bispo do Porto exilado relatando que o seu capelão seguiu as instruções do bispo do Porto e tentou renovar o passaporte do bispo no Consulado de Portugal em Valência. Mas atualmente isso já não é possível. Só em Madrid ou em Barcelona e o funcionário recomendou usar qualquer dos consulados em França.; conclui informando que espera a visita do bispo do Porto, Valência, 1967-07-20
Rafael González MoralejoCarta de Manuel Duque Vieira – professor para António Ferreira Gomes - bispo do Porto exilado informando que tencionava visitar o bispo do Porto em Valência, todavia “…o governo proibiu a ida dos funcionários públicos ao estrangeiro para evitar saída de moeda”; relata que “…estamos a ser agredidos na Sociedade das Nações.” devido à guerra colonial, que expressa que podia ter sido evitada se “…emendássemos mal tremendos, as espoliações dos negros…”; tendo sabido da presença do bispo na Comissão de Seminários no concílio, reflete sobre a educação nos seminários “…se tem ensinado nos seminários a moral revelada, a moral natural é…posta de parte. Ora, parece-me que antes de haver um padre é preciso haver um homem justo, honesto.”, Póvoa de Rio de Moinhos, 1961-09-[--?]
com uma anotação manuscrita da resposta do bispo do Porto “…este eco da voz dum Episcopado que pode falar e deve falar…”
Carta de António Ferreira Gomes Bispo do Porto exilado para D. Sebastião Soares de Resende bispo da Beira informando que sobre as “…Obreras de la Cruz não posso dizer senão bem…me tratam melhor do que eu mereço.”; e acrescenta que o seu fundador é cónego e professor de moral no seminário.
Relata “Quando ao que me pergunta do meu caso…não acredito em remodelação de constituições e em mudança pacífica de pessoal…”
Interroga sobre o seu “…ministério…” conforta D. Sebastião pelo facto dos seus escritos pastorais "terem sido colocados de molho"e pergunta se “…está preparado para o Concílio? [Vaticano II - 1962-10-11]”,
com uma anotação “Resposta à carta de 15/3/1962”
Carta de Maria José Valente Cabral, Auxiliar do Apostolado para António Ferreira Gomes - bispo do Porto exilado informando que irá partir no dia 2 de Junho, com a Maria Tereza Miranda (Auxiliar do Apostolado em Braga) para Rocca di Papa para frequentar o curso de 2 meses do Movimento Mundo Melhor!, tencionam aproveitar para visitar o bispo do Porto em Valência no dia 3, Porto, 1960-05-29
Maria José Valente CabralCarta de António Ferreira Gomes Bispo do Porto exilado para Dr. Valente relatando a suas experiências e sentimentos em Valência. Declara estar “…exilado, civilmente exilado, bem o sabe e é bom que se saiba.”; elogia os bispos espanhóis “…têm sido de uma amabilidade, franqueza e fraternidade, que de muita coisa nos consolam…” ; afirma que “…não conseguiram meter o nacionalismo herético dentro de mim, nem mesmo fazer-me alinhar e muito menos pregar enquanto «autoridade eclesiástica» essa «frente nacional»…”; orgulha-se do “…abaixo-assinado do Clero do Porto, que para mim vale mais que tudo, que ficará como um título de glória para o nosso Clero. Moralmente…considero-o o meu verdadeiro título, que já ninguém me pode tirar e que confortará a minha velhice…”
Responde ao conselho dado por Dr. Valente sobre uma possível viagem para a América: “Agradeço, mas não posso pensar nisso.”, Valência, 1959-11-24
Carta de Maria Amália para António Ferreira Gomes - bispo do Porto exilado respondendo a “…todos os assuntos da carta de V.ª Ex.ª…com sinceridade…”; prossegue descrevendo os “…factos, tão desagradáveis da festa da Decenal da L.U.C.F.”, nomeadamente o tempo de espera que o padre António Ferreira Gomes teve que aguardar para receber o “…Dr. Xavier Coutinho...”; e a subsequente sobreposição das funções atribuídas a António Ferreira Gomes e a Monsenhor Pereira Lopes na representação do Bispo na referida festa.
Informa que relativamente “…ao caso do Sr. D. Agostinho desconhece-o por completo…”; sobre o “…que seu deu no Monasterio de Piedra continuo na mais absoluta ignorância sobre a versão que lhe foi dada; para ela foi uma alegria reencontrar o bispo; Quanto à parte material do assunto peço a V. Ex.ª…para não pensar mais nela, pois não deve nada ao Dr. Coutinho; relata também que Xavier Coutinho sofre imenso com exílio do seu Bispo…Tem me acompanhado em todo o meu grande sofrimento com a máxima compreensão.”
Conclui relatando que a demora da sua resposta deve ao seu estado débil de saúde, Porto, 1962-05-16
Carta de António Ferreira Gomes Bispo do Porto exilado para Artur Silva, padre “…Meu prezado amigo P. Artur” relativa à uma audiência entre o padre Artur e uma autoridade afirmando que “…o P. Artur resolveu mostrar ao homem das diplomacias o que é um «homem do Porto»!... parece impossível que simulasse ignorar os factos da fronteira…Mais impossível parece que tivesse a coragem de ignorar as condições da minha saída do pais…”
Aborda a “…miséria eclesiástica híper-salazarista…que por aí vai, poderá conhecer o meu atual ponto de vista lendo a carta que mandei ao Dr. Brandão…” e declara “Não me importa que façam saber que lavro o mais formal veemente protesto contra as iniquidades e ilegalidades que se estão a cometer…Este meu protesto pode datar-se do momento em que a Administração…se pôs em oposição flagrante com sentimento…da Igreja, assumindo por seu gosto e recreação a simpática e honrosa tarefa de me demolir como bispo do Porto.”, Valência, 1960-03-07
Carta de António Ferreira Gomes Bispo do Porto exilado para Madureira, padre, doutor em teologia relatando sobre a difusão da noticia do seu exílio na “…France Presse…Nouvelles Catholiques…a P.A (que é da responsabilidade da Igreja espanhola)…Eclesia…”; o último jornal indica que o exílio não foi autorizado sem a “…Nunciatura…”
Afirma que a “Secretaria de Estado…se pronunciou muito formal e expressamente (embora isto deva ficar confidencial): - Nós nunca o temos condenado nem o condenamos! Parece que aí me condenaram, por amor de Deus e da Igreja…Não sei porém se essas salazarentices não estarão ajudando a reflectir quem de direito…”, Valência, 1960-04-01
Carta de António Ferreira Gomes Bispo do Porto exilado para a irmã Emília, expressando que a sua correspondência tem manifestado sinais de “…violação…”, expressa a sua preocupação por “…Fernando…” devido à sua participação na Guerra Colonial e deseja que “…possa sair, o mais breve possível, daquilo.”
Assinala que “Muito me divertiu saber que a…Administração Apostólica já subiu às alturas do Vaticano de Penafiel, para comer e ser comido.”
Indica “Estou em preparativos de partida para Panticosa…em férias”, Huesca, para onde tenciona ir de carro. Convida a irmã e outros familiares a passarem férias neste destino, Valência, 1961-07-12
Carta de António Ferreira Gomes bispo do Porto exilado para um “…Sr. Brigadeiro e meu prezado Amigo” informando que “…muitas vezes pensei em V. Exª. e na Sr.ª. Dª. Maria Teresa e no Sr. Engº. Nuno nesta minha intérmina peregrinação…” recordando a última conversa que tiveram. Caracteriza a sua situação como um“…exílio formal e expresso imposto na fronteira por um director local em contacto com o director geral [entre linhas: da Pide]…”
Prossegue relatando o seu desejo de “…comunicar…” com Dr. Rodrigues Martins e o “…Sr. Engº. Nuno…”; recomenda que a correspondência desses homens seja transmitida ao “…Dr. Godinho de Lima e este se encarregaria de a fazer pôr nos correios de Espanha”
Conclui que irá “…passar para Levante, talvez para Valência…”, Santiago de Compostela, 1959-11-10
Carta de José Narino de Campos – padre para António Ferreira Gomes – bispo do Porto exilado relatando o envio de um recorte de «Estado de S. Paulo» com uma carta-aberta dirigida ao Cardeal Cerejeira. Enviou para conhecimento a mesma 15 dias antes ao Cardeal; informa também que o general Delgado, renunciou ao asilo e partiu para a Europa ou Norte de África.“Dele…não creio que algum grande mal possa resultar…”; conclui informando que enviou a no verão “…cópia impressa de sua carta-aberta a Salazar.” em “…setembro de 1963… Será que a recebeu?, São João da Boa Vista - São Paulo, 1964-01-31
José Narino de Campos