Cópia de documento dirigido a António de Oliveira Salazar - Presidente do Conselho de Ministros alertando para o facto de Domingos António Mascarenhas Arouca – advogado não ter beneficiado da liberdade condicional enquanto os advogados “…Joaquim Monteiro Matias e Saul Rodrigues Nunes, que se encontravam então reclusos por motivos políticos na Cadeia do Forte de Peniche…foram postos em liberdade condicional”; como a detenção destes 3 advogados foi motivada pela mesma natureza “…(a) situação jurídica em nada difere da dos outros…”
Reflete que uma das possíveis causas para a sua continua prisão é “…de ele ser negro e originário de Moçambique…”, considera se tal suposição ser correta seria uma “…discriminação…odiosa.”
Conclui expressando que continua prisão de Domingos António Mascarenhas Arouca – advogado é “…chocante…” e urge que seja “…concedida liberdade condicional ao Dr. Domingos Arouca.”, [post. 1965-11-[--?]
Peniche - Leiria - Portugal
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Carta de Artur Martins da Silva – padre para António Ferreira Gomes – bispo do Porto exilado informando que já cumpriu os diferentes encargos depois de voltar da visita ao bispo e que a família do bispo está de saúde. Relata que foi nomeado para Espinho e o Dr. Martins para Cedofeita "A nomeação do Dr. Martins para Cedofeita tem dado muito que falar, porque ninguém vê porque ir tirar sem mais nem menos um Vice-Reitor ao Seminário-Maior.”; “O Pe. Costa Maia virá para serviços centrais…” • “Também corre por aí em surdina que o Pª. Adriano vai ser removido da Sr.ª da Conceição…” Dá conta das conversas ocorridas em casa do Dr. Nosolini em jantar com o D. Martins.
Informa também que “Em Lisboa começou ontem a conferência Episcopal…sob a presidência do…Cardeal Patriarca e prolongaria por três dias…De Peniche evadiram-se vários presos, entre eles…Álvaro Cunhal…”, Porto, 1960-01-13
Carta de Manuel Maria Múrias, jornalista e escritor para António Ferreira Gomes – bispo do Porto informando que se encontra detido na “…Penitenciária…” e de não ter sido “…funcionário, nem informador da ex-PIDE, nem filiado na L.P, na U.N ou a A.N.P.”; descreve que a sua detenção nestes termos “O que neste momento se passa nas prisões militares portuguesas é…um caso alarmante de miséria moral, social e psíquica…”
Manifesta a sua solidariedade com os “…polícias e ainda com os adeptos do P.C.P…” e indica que “Não são só os PIDES que estão presos…Estão presos duques e pescadores…comunistas….homens…desde os 16 aos 80 anos…”
Prossegue descrevendo biograficamente alguns companheiros de cela e conclui agradecendo ao bispo do Porto pelo “…que…fez por esta gente toda, o atento que lhes deu…” e solicita que “…não se esqueça dos outros (presos), aos informadores, dos menos valentes, de todos os desgraçados…Reze por mim, Senhor Bispo.”, Penitenciária, 1975-06-09