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- Maria Manuela Silva
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History
Nascida em Cascais em junho de 1932, Manuela Silva foi a primeira mulher licenciada em economia em Portugal pelo Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa (1954). Uma pioneira e das principais responsáveis pela dinamização dos estudos sobre a realidade da pobreza em Portugal, teve um percurso profissional como investigadora e professora no Instituto Superior de Economia e Gestão entre 1970 e 1991, onde lecionou, entre outras, as cadeiras de Planeamento, Política económica, Política Social, Economia Portuguesa, Desenvolvimento Socioeconómico e Desenvolvimento comunitário. Ainda no ISEG desenvolveu os cargos de Presidente do Conselho Pedagógico (1982-1985); diretora da Revista Estudos de Economia do ISEG, (1982-1989); e membro fundador e presidente, do Centro de Estudos sobre Economia Portuguesa (CISEP). Foi responsável pela criação do curso de mestrado em Economia e Política Social no início dos anos de 1990 e presidiu à assembleia geral do CESIS - Centro de Estudos para a Intervenção Social. Entre os seus trabalhos de investigação académica destacam-se as investigações realizadas nos domínios do desenvolvimento socioeconómico; repartição do rendimento; desenvolvimento comunitário; política económica; economia portuguesa; pobreza e exclusão social; economia social; política social e economia de comunhão.
Além do seu percurso académico, Manuela Silva destaca-se no quadro da Administração Pública ao desempenhar funções de assistência técnica e de direção de diversos organismos do Estado. A este respeito, considerando as suas aptidões académicas no campo económico e social, no final da década de 1950 Manuela Silva é nomeada assistente dos Serviços de Acção Social do Ministério das Corporações (1955-1959), integrando, posteriormente, a equipa de estudos e experimentação e desenvolvimento comunitário da Associação Industrial Portuguesa (1960-1964). Neste sector, não só chega a dirigir o Gabinete de Estudos Sociais do Ministério da Saúde e a chefiar os Servições de Acção Social e Comunitária do mesmo Ministério (1965-1970), como, já depois da Revolução do 25 de Abril de 1974 e instaurado o regime democrático em Portugal, é eleita presidente do Instituto de Tecnologia Educativa do Ministério da Educação (1974-1975), nomeada Secretária de Estado para o Planeamento no I Governo Constitucional (1976-1977), e Inspetora Geral de Educação (1975-1993). Neste percurso, já depois da Revolução dos cravos o seu trabalho obtém uma abrangência e reconhecimento transnacional ao integrar vários grupos de trabalho no âmbito da Comissão Europeia, do Conselho da Europa e da OIT - Organização Internacional do Trabalho.
Paralelamente à sua carreira académica e política, desempenhou lugares de liderança no âmbito da Igreja Católica à escala nacional e internacional: assumindo a presidência da Juventude Universitária Católica Feminina (1954-1957); militando no Graal, Movimento Internacional de Mulheres Católicas,; e assumindo os cargos de presidente do Movimento Internacional dos Intelectuais Católicos/Pax Romana (1983-1987), e da Comissão Nacional Justiça e Paz, da Igreja Católica (2006-2008). Além destes, foi fundadora, presidente e coordenadora do Centro de Reflexão Cristã, da Fundação Betânia, do Grupo Economia e Sociedade (GES) e da Rede Cuidar da Casa Comum. No quadro da espiritualidade cristã, inspirada no Evangelho e da doutrina social da Igreja, empenha-se e desenvolve a sua reflexão em torno do catolicismo social, da defesa das causas da justiça, da paz, do desenvolvimento e da missão das mulheres nas estruturas Igreja Católica.
Decantado o seu percurso, entre as diversas problemáticas estudadas por Manuela Silva destacamos a preponderância assumida pela questão da pobreza e da exclusão social no quadro da sua trajetória académica, política e cívica, a pretexto do seu pioneirismo no panorama académico português no estudo desta problemática. Tendo o combate à pobreza e exclusão social como métrica, o seu trabalho académico pautava-se pela não-discriminação e a salvaguarda da diversidade e dos direitos fundamentais, contribuindo para combater práticas e políticas económicas discriminatórias contra grupos de população em situação de vulnerabilidade, nomeadamente aqueles em situações de pobreza e desemprego.
Ao longo da década de 1980 Manuela Silva coordenou, juntamente com Alfredo Bruto da Costa, os primeiros estudos feitos sobre pobreza em Portugal, levados ao prelo sob os títulos: «A Pobreza em Portugal» (1985) e «A Pobreza Urbana em Portugal» (1987). Além destas obras o estudo da pobreza e da exclusão social seria prosseguido pela autora nas décadas seguintes, podendo-se elencar as ainda os seguintes títulos ensaísticos: «Rendimento e riquezas desiguais. Ensaio de análise espacial» (1980); «Desenvolvimento económico e repartição do rendimento» (1983); «Agentes económicos em situação de exclusão: os pobres» (1986); «Crescimento económico e pobreza em Portugal (1950-74)» (1982); «A erradicação da pobreza – um problema crucial no planeamento» (1982). No parecer dos seus pares, as obras agora listadas marcaram uma etapa na literatura académica na área da economia social em Portugal e, bem assim, toda uma geração de investigadores e ativistas que lhes sucedeu e que teria continuação em estudos recentes como «Um olhar sobre a pobreza – Vulnerabilidade e exclusão social no Portugal Contemporâneo» (2008).
Por outro lado, sendo a primeira mulher economista em Portugal e das primeiras a ocupar lugares de chefia na Administração Pública e a assumir uma Pasta no I Governo Constitucional em Portugal, outro dos temas de maior incidência do pensamento e atividade de Manuela Silva prende-se com desigualdade de género: em particular aquelas manifestas na discriminação das mulheres no mundo do trabalho e no interior das estruturas da Igreja Católica. A este respeito, em Portugal e no panorama da lusofonia, Manuela Silva ocupa um lugar cimeiro no cenário académico, político, cívico e religioso no que respeita ao questionamento das desigualdades subjacentes nos diversos níveis da sociedade com base no género.
Tendo em vista a redução de desigualdade entre homens e mulheres e o fortalecimento de competências destas na construção das sociedades e das economias modernas, Manuela Silva desenvolve um vasto campo de investigação relativo ao papel das mulheres na economia e no mundo do trabalho, pondo em evidencia as desigualdades a que estão sujeitas nesse contexto, e procurando caminhos alternativos para as colmatar. Ainda neste tema, surgem os seus contributos seminais em torno do lugar e da missão das mulheres na Igreja Católica, não só denunciando as desigualdades à quais estão sujeitas como articulando o pensamento económico com os conceitos e problemáticas próprias ora do campo da teologia cristã ora do feminismo: «Mulheres na Igreja: que lugar? Que missão?» (1995); «A teologia feminista cristã e a representação do feminino na cultura ocidental contemporânea» (1999); «Dizer Deus – imagens e linguagens. Os textos da fé na leitura das mulheres» (2003).
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CONSELHO INTERNACIONAL DE ARQUIVOS — ISAAR(CPF): Norma Internacional de Registos de Autoridade Arquivística para Pessoas Colectivas, Pessoas Singulares e Famílias. Trad. Grupo de Trabalho para a Normalização da Descrição em Arquivo. 2.ª ed. Lisboa: Instituto dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo, 2004, 79 p.
DIREÇÃO GERAL DE ARQUIVOS; PROGRAMA DE NORMALIZAÇÃO DA DESCRIÇÃO EM ARQUIVO; GRUPO DE TRABALHO DE NORMALIZAÇÃO DA DESCRIÇÃO EM ARQUIVO – Orientações para a descrição arquivística. 2.ª v. Lisboa: DGARQ, 2007, 325 p.