Carta de António Joaquim Ferronha – professor para António Ferreira Gomes – bispo do Porto exilado informando de um falecimento de um membro da “…causa portuguesa( a verdadeira)…” todavia ressalva que este membro não era um “…homem ideal.”; prossegue descrevendo a situação “…instável…” da política do Congo que atribui à interferência das “…grandes potências…” e pelos “…políticos…” sedentos de “…cerveja, mulheres e dinheiro.” e descreve os investimentos germânicos e suiços no Congo.
Afirma que “Aqui chegou-nos muito pouca informação sobre o…” Concílio Vaticano II mas indica que “Fiquei contente por saber da intervenção do Sr. D. António no Concílio…”, conclui perguntando se a resistência “…democrática cristã…” em Portugal alcançará “…qualquer coisa?”, Universidade Livre do Congo, Stanleyville (Kisangani), 1965-11-13
Kisangani (Stanleyville) - Congo
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Carta de António Joaquim Ferronha – professor para António Ferreira Gomes - bispo do Porto exilado informando que depois de ter visitado o bispo em Lourdes, resolveu que a família o não iria acompanhar de volta ao Congo e que voltaram para Portugal. Quando, em setembro, chegou ao Congo, viu-se metido no tiroteio e espera sobreviver no meio das convulsões políticas e militares.
António Joaquim FerronhaCarta de António Joaquim Ferronha – professor para António Ferreira Gomes - bispo do Porto exilado informando que aceitou a recomendação de amigos e do bispo e rendeu-se aos esforços feitos do lado governamental para que voltasse a Angola. Com a garantia que lhe fora feita de poder atravessar a fronteira entre o Congo e Angola, desde que em troca ajudasse nas relações entre os poderes do Congo e de Angola. Afirma que “O desespero apossou-se da maioria dos angolanos. O M.P.L.A depois de inventar vitórias sobre vitórias…resolveu evacuar o Congo…”, 1968-09-29
António Joaquim FerronhaCarta de António Joaquim Ferronha – professor para António Ferreira Gomes - bispo do Porto exilado desejando o fim do exílio do bispo do Porto “…nesta quadra de Natal e Ano Novo…”; indica que a sua esposa regressou a Portugal; indica que regressou de Paris para o Congo tendo constatado que a sua casa foi destruída por “…mercenários e exército…” durante os combates com os “…Katangueses amotinados…”; reflete sobre o “…Novo Congo…” nestes termos “…é uma espécie de aristocracia intelectual, a meio caminho da filosofia iluminista…Os intelectuais são rapazes bem formados, bem-intencionados…”, acrescenta que “…a política do general Mobutu…é ocasionalmente a mais realista.”; todavia prevê “…dais financeiros muito maus para o Congo…”
Conclui reportando que não tem “…notícias…” de Portugal, com uma anotação “[1967?]”, Universidade Livre do Congo, [c.1967-12-25]
Carta de António Joaquim Ferronha – professor para António Ferreira Gomes - bispo do Porto exilado relatando que a detenção da sua família por parte da PIDE cessou e já se encontram em Stanleyville(Kisangani) através dos esforços da “…Cruz Vermelha Internacional.”; todavia ainda suspeita que continua a ser espiado pela “…PIDE…”; relata vários aspetos sobre a resistência angolana, especialmente sobre os que se encontram no Congo mas sem apoios financeiros, afirma que “A situações congolesa mantêm-se mais ou menos com tendência favorável aos elementos centro e direita.”; indica que “…não sei qual será a saída desta nação que não é nação senão artificialmente.”, caracteriza os congoleses nestes termos“…a alma do congolês continua a mesma: desleais, mulheres, cerveja…os escândalos de desvios de fundos públicos são… corrente e banal.”; relata que em Kinshasa (Léopoldville) - Congo “…elementos do M.P.L, mestiços sobretudo, continuam, desiludidos, a regressar a Angola.”
Conclui informando que o seu filho mais velho, 10 anos, quer ser médico-missionário.”, Universidade Livre do Congo, Stanleyville (Kisangani), 1966-04-05
Carta de António Joaquim Ferronha – professor para António Ferreira Gomes - bispo do Porto exilado informando que as suas primeiras cartas enviadas enquanto estava na clínica, foram apreendidas. Indica que entretanto regressou ao Congo, mas infelizmente a cura que me parecia radical, não se mostrou como tal e assim voltei a recair…Impossibilitando-me de trabalhar…”; informa que foi despedido de ser professor universitário, com pagamentos do ano anterior em atraso; expressa o seu “…grande problema sobre o futuro, para onde migrar, Kisangani (Stanleyville) - República Democrática do Congo, 1967-12-21
António Joaquim FerronhaCarta de António Joaquim Ferronha – professor para António Ferreira Gomes - bispo do Porto exilado informando que no “…domingo de Ramos…” desmaiou “…os pulmões e o coração terem cessado de trabalhar em Kisangani…ficando uma semana entre a vida e a morte…” mas recuperou todavia “Sinto-me bastante fraco. Terei que resolver estes problemas orgânicos ainda.”; reporta que se encontra a residir num “…apartamento…com o rio Congo por trás da janela e Brazzaville da outra republica em face.”
Comenta que “…a Igreja em Portugal em vez de progredir, marcha para as tradições medievais.”; relata que “Os angolanos por aqui continuam a matarem-se uns aos outros, antes mesmo de ocuparem o poder.”; conclui solicitando a bênção do bispo do Porto, Kisangani (Stanleyville) - República Democrática do Congo, 1967-04-19
Envelope de um remetente não identificável para António Ferreira Gomes - bispo do Porto exilado, Universidade Livre do Congo, Kisangani (Stanleyville) - República Democrática do Congo, [post. 1959-07-24]