Carta de António Ferreira Gomes bispo do Porto exilado para o Cardeal Patriarca de Lisboa Manuel Gonçalves Cerejeira informando que “…venho apresentar…algumas pontualizações que me parecem indispensáveis…” relativamente ao pró-memória para Presidente do Conselho de Ministros António de Oliveira Salazar, sobre a Acção Católica, indicando:
• “O meu pró-memória era apenas e só isso mesmo: pró-memória para uma entrevista…não queria que fosse assinado ou respaldado por quem quer que fosse, do Episcopado ou de qualquer sector.”
• “Não quebrei «compromisso comum», porque não me comprometera…”
• “O documento de repúdio e protesto contra a publicação do pró-memória…foi levado ao conhecimento oficial de quem de direito, que…depois impediu…o seu legítimo e necessário conhecimento público…”
• “A forma como V. Eminência relata simplesmente os factos aos quais se liga a [sic] não realização da entrevista causou-me surpresa, melhor dizendo estupefação.”
• “Quanto ao que disse ou não disse a V. Eminência sobre os fins da minha ida à Secretaria de Estado, não devo contradizer V. Eminência. Mas tão viva é na minha memória a impressão de ter falado em oferecer a resignação quanto [sic] a de que Mons. Samoré…me ter dito logo que não falasse em resignação. Como então adivinhou ser esse o propósito da audiência pedida?”
• “…Poderá V. Eminência desconhecer que todos aí concordem ou discordem, reconhecem que o Episcopado está dentro e debaixo da política nacionalista?!”
• “Mas ainda V. Eminência «julga que a sua cooperação (com a Santa Sé) não foi inútil quanto à Acção Católica…Outros sentem e dizem que a perdeu por dentro, que lhe matou a alma, que a tornou mau lugar para católicos…eu na verdade apenas sentia pena, uma imensa pena pela A.C pela Igreja e principalmente por V. Eminência…”
Afirma que “…se não fosse o meu exílio ou calvário, continuaria a ser incómodo e as «decisões colectivas» seriam mais difíceis.”; por último descreve a Conferência Episcopal como “…modelo…monolitismo e com a união nacional dentro do Episcopado…Era isto que se queria chegar ?!...É nisto que nos sentimos Igreja?!...”, Valência, 1963-04-08