Carta de António Ferreira Gomes Bispo do Porto exilado para Novino de Campos, padre exilado no Brasil revelando que “…foi para mim uma completa surpresa…” a carta “…que recebi há dias de V. Revª…” e elogia-o “…escreve muito bem.”
Critica o clero português por se “…situarem o mais atrás possível…nos tempos em que o Estado se atribuía a missão de salvar almas…”; afirma que “…não me agrada ser considerado bispo-filósofo. Quero ser bispo-sacerdotal embora pense que os bispos não podem esquecer nem temporalizar a função do magistério.”
Comenta o “…seu artigo agradou-me muito embora houvesse muitos desenvolvimentos e retificações a fazer…” e informa “Evidentemente quererei ler o seu livro.”, , [1962 post -05-16]
com uma anotação “Resposta à carta 16-5-1962”
Cópia da carta de José Narino de Campos – padre para Giovanni Battista Enrico Antonio Maria Montini – Papa Paulo VI expressando a sua “…profunda mágoa, diante das declarações feitas no dia 21 de Outubro por um membro do governo do meu país contra a próxima visita de Vossa Santidade a Bombaim…”, continua afirmando “Aquelas declarações não traduzem o sentir do povo português, mas unicamente o de um governo totalitário…”; indica que envia “…a reprodução de um artigo que publiquei, no dia 1 do corrente mês, no influente jornal brasileiro «O Estado de S. Paulo»…”; com uma anotação manuscrita dirigida ao António Ferreira Gomes – bispo do Porto exilado “...É com prazer que lhe envio cópias de uma carta…para o Santo Padre e do artigo a que nela fiz referência.”, São João da Boa Vista - São Paulo, [post. 1964-11-05]
UntitledCarta de José Narino de Campos – padre para António Ferreira Gomes - bispo do Porto exilado indicando o seu problema de “…consciência…” quando regressou a Portugal vindo de São Paulo “…tinha de fazer qualquer coisa que ajudasse a desmascarar a tremenda farsa do Salazarismo, e a pôr…fim…à tremenda inação dos nossos bispos.”; relata que irá publicar um livro no Brasil intitulado “…A verdade e o mito do Salazarismo…” e publicar uns artigos no jornal “…Estado de S. Paulo…” que são uma “…condensação daquele futuro livro.”; informa do envio do 1º desses referidos artigos para o bispo do Porto que contém “…uma longa referência a V. Ex.ª…”; conclui felicitando-o pela “…desassombrada atitude que tomou em face do regime português.”, São João da Boa Vista - São Paulo, 1962-05-16
UntitledCarta de José Narino de Campos – padre para Amleto Giovanni Cicognani – Cardeal Secretário de Estado do Vaticano relatando o envio do seu livro “…A Verdade e o Mito do Salazarismo…”; continua descrevendo a sua “…intervenção…” pela defesa de “…três sacerdotes angolanos de raça negra vítimas da polícia omnipresente e discricionária do dr. Salazar.” os referidos sacerdotes foram presos e “…exilados em Portugal.”; afirma que estes sacerdotes pediram ajuda à igreja, todavia foram ignorados “Quando um sacerdote perseguido clamou pela Santa Igreja, esta tratou à distância, friamente, como se fosse um estranho!”, relata também que está a efetuar esta “…intervenção…” na “…Secretaria do II Concílio do Vaticano…”, conclui informando do envio de transcrições “…de «Estado de São Paulo; cópia de uma carta do sacerdote angolano Domingos António Gaspar ao Núncio Apostólico em Lisboa e de outra…(ao) Cardeal Cerejeira…”, São João da Boa Vista - São Paulo, 1962-11-24
Em anexo:
Cópia parcial de dois artigos do jornal – “Estado de S. Paulo” datados a 1962-11-08 e 1962-11-10; o primeiro artigo refere “…Uma delegação do governo de Angola no exílio…está realizando em Roma uma intensa atividade para chamar a atenção…(que) o governo de Lisboa prendeu…os expoentes do clero que em Angola apoiam o movimento de libertação nacional…” bem como “…violentas e sangrentas repressões de que é vítima a população de Angola.”
O segundo artigo relata as respostas do “…Igino…chefe do protocolo da Secretaria de Estado do Vaticano…” a perguntas relacionadas com a prisão e exílio de padres Angolanos pelas autoridades portuguesas.”, [post. 1962-10-27]
Cópia de uma carta de Domingos António Gaspar – “…pároco, da Arquidiocese de Luanda…” para Giovanni Panico - Núncio Apostólico em Lisboa descrevendo a sua “…situação deveras anormal criada injustamente pelas Autoridades civis…” em que indica que foi preso pela “…PIDE…” e “Em, Luanda, fui barbaramente espancado pela polícia…a ponto de desmaiar perdendo o uso dos sentidos…”, acrescenta que foi acusado de “…«terrorista»…” sem a apresentação da “…mínima prova ou fundamento…”; relata que saiu em liberdade a “…28 de Outubro…” e que foi obrigado a fixar a sua residência em Lisboa e que se encontra “…quase sem dinheiro…”, conclui solicitando uma audiência com o Núncio Apostólico em Lisboa tendo em vista o seu regresso a Luanda.
Após a transcrição do conteúdo desta carta é indicado que o Giovanni Panico - Núncio Apostólico em Lisboa “…não se dignara a receber pessoalmente o interessado…”, [post. 1962-03-10]
Cópia de uma carta de Domingos António Gaspar – “…pároco, da Arquidiocese de Luanda…”para Manuel Gonçalves Cerejeira - Cardeal Patriarca de Lisboa relatando que foi “…barbaramente espancado pela policia de Luanda…” e exilado para Lisboa devida a uma acusação de “…terrorismo…” sem qualquer “…vestígio de prova.”; relata que tentou marcar uma audiência com Cardeal Patriarca de Lisboa mas que foi expulso do edifício pela “…razão de ser preto.”; solicita ao Cardeal Patriarca de Lisboa que encontre uma forma de regressar a Angola.
Após a transcrição do conteúdo desta carta é indicado que Manuel Gonçalves Cerejeira - Cardeal Patriarca de Lisboa “…não fora além de boas palavras.”, [post. 1962-03-10]
Carta de José Narino de Campos – padre para António Ferreira Gomes – bispo do Porto exilado informando que o livro que enviou ao bispo do Porto “…«Missão de Portugal» de Álvaro Lins…” foi-lhe devolvido após meses nos serviços postais de Valencia, sem ter sido levantado; solicita a morada do bispo do Porto para realizar novamente o envio desse livro, São João da Boa Vista - São Paulo, 1963-02-20
UntitledCarta de José Narino de Campos – padre para J. Pedroso de Lima respondendo à “…sua carta de 16 de outubro…” em 4 pontos, nomeadamente:
• “…a Santa Sé foi tão surpreendida quanto eu e o senhor pela recusa do dr. Salazar de permitir o regresso de D. António, Bispo do Porto, à sua diocese.”
• “A hipótese de que o chefe do governo português pusesse previamente o Vaticano ao corrente de seu propósito de manter D. António afastado da diocese do Porto é simplesmente absurda.”
• “…talvez a leitura de um artigo meu publicado em «Portugal Democrático», de São Paulo, no nº 63, de agosto passado, lhe possa fornecer o esclarecimento pedido .”
• “Fique bem tranquilo, que nos arquivos do salazarismo não serão achados documentos que demonstrem qualquer conivência da Santa Sé com os desmandos do governo português…”
São João da Boa Vista - São Paulo, 1962-11-26
Em anexo:
Recorte de jornal “Portugal Democrático” - nº63, contendo o artigo de José Narino de Campos – padre intitulado “O clero português contra o fascismo – Salazar e o Direito Penal da Igreja”, São Paulo, 1962-08-[--?]
Carta de José Narino de Campos – padre para António Ferreira Gomes - bispo do Porto exilado informando que o bispo do Porto “…receberá…um exemplar do livro «A verdade e o mito do Salazarismo» e indica o entusiasmo que o livro já provocou, por exemplo, junto do capitão Henrique Galvão…encarna, de facto, aqui no Brasil o anticomunismo dos opositores do Salazar.”, São João da Boa Vista - São Paulo, 1962-11-28
UntitledRecorte de jornal: artigo “O Governo Português e o Papa Paulo VI” – autor: José Narino de Campos – padre; publicado no jornal “O Estado de S. Paulo”, com uma anotação a vermelho “Publicado no dia 1-XI-64 em «O Estado de S. Paulo»”, [post. 1964-11-01]
UntitledCarta de José Narino de Campos – padre para António Ferreira Gomes – bispo do Porto exilado relatando o envio da “…cópia de uma carta que hoje também seguiu para o Sr. Núncio em Lisboa. Uma outra, escrita em Italiano, segue para o secretário particular de Paulo VI.”, relata também o envio de um exemplar do livro «A verdade e o mito do salazarismo» e de uma cópia da “…carta aberta a Salazar…” para o “…Sr. Núncio em Lisboa…(e) o secretário particular de Paulo VI.”
Afirma que “O general Delgado não tem o mínimo de bom senso e inteligência para liderar qualquer movimento de oposição. Tem representando aqui papeis de um ridículo inacreditável e deixou-se prender inteiramente aos comunistas.”; declara uma “…prudente hostilidade.” ao comunismo; e indica que o “…«namoro» católico-comunista…” no Brasil quase colocou “…o País na URSS!”, São João da Boavista – São Paulo, 1963-08-30
Carta de José Narino de Campos – padre para António Ferreira Gomes – bispo do Porto exilado relatando o envio de um recorte de «Estado de S. Paulo» com uma carta-aberta dirigida ao Cardeal Cerejeira. Enviou para conhecimento a mesma 15 dias antes ao Cardeal; informa também que o general Delgado, renunciou ao asilo e partiu para a Europa ou Norte de África.“Dele…não creio que algum grande mal possa resultar…”; conclui informando que enviou a no verão “…cópia impressa de sua carta-aberta a Salazar.” em “…setembro de 1963… Será que a recebeu?, São João da Boa Vista - São Paulo, 1964-01-31
UntitledCarta de António Ferreira Gomes bispo do Porto exilado para o padre Narino Campos na qual agradece “…a forma generosa e amiga como me trata e as sugestões que faz a respeito do meu caso.” Sobretudo a carta aberta escrita ao Cardeal Patriarca. Comenta passagens de duas cartas que o padre Narino Campos enviara anteriormente centradas no comunismo “Evidentemente estão de fora as doutrinas, bem como a colaboração com o comunismo para fins do comunismo…evidentemente não podemos transigir. Quanto aos aspectos postos pela convivência civil e da luta política…como bispo considero-me radicalmente incompetente para me pronunciar, para além de princípios.”; sendo um deles “A Igreja não pode ter partido…só excecionalmente e por necessidade indesejável e bem lamentada intervêm na política.”; descreve “…o comunismo põe-se fora do jogo democrático, como da moral, que a Igreja ajudou a formar e sempre defendeu.”; todavia ressalva “…porém julgar da sinceridade com que declararam seguir agora a via democrática e a convivência civil, apreciar o valor de compromissos…Enfim, eu não me considero competente…não condeno ninguém, por católico, em razão da sua liberdade política…”, com uma anotação “Resposta à carta de 31-1-64”, Beuel – Pützchen Herz-Jesu Kloster, 1964-02-24
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