Rascunho de cartão de António Ferreira Gomes bispo do Porto exilado para Fernando Piteira Santos - professor universitário retribuindo os “…votos de Natal e ano novo.”; afirma “…quero assegurar a V. Ex.ª que não deixará de ser fiel aos mesmos princípios de direito, liberdade, paz e amizade cívica… na qualidade de servidor da Igreja”, Lourdes - Altos Pirenéus – França, 1968-12-20
com uma anotação “Resposta a Piteira Santos”
Argel - Argélia
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Recorte de jornal Comércio contendo o artigo “Numa aldeia perto de Badajoz foram encontrados dois cadáveres que se presume serem de Humberto Delgado e da sua secretária” com uma anotação manuscrita a lápis “Comércio – 28/4/65”, Madrid, [c. 1965-04-28]
Circular da Junta Revolucionária Portuguesa relatando a decisão judicial do “…juiz espanhol José Maria Crespo Marquez, do Tribunal de Badajoz, sobre o assassinato do líder antissalazarista português General Delgado…” que conclui que é “…inegável que este crime bárbaro foi cometido por agentes da PIDE, a polícia política portuguesa.”; devido a este facto “A Frente Patriótica de Libertação Nacional de Portugal…apela à opinião democrática internacional para que apoie a justa causa do povo português pelo completo esclarecimento do assassinato do General Delgado e pela severa punição dos assassinos, contra os crimes da polícia política portuguesa (PIDE) pelo triunfo dos direitos humanos em Portugal
• exigindo que as conclusões do juiz espanhol sejam tornadas totalmente públicas
• exigindo a prisão dos assassinos do General Delgado e dos seus cúmplices, incluindo aqueles que estão actualmente ao alcance da Justiça não salazarista -condenando sob todas as formas os procedimentos bárbaros da PIDE, a polícia política portuguesa, e impedindo a preparação ou execução destas manobras provocativas em países democráticos.
Argel, 1966-02
Carta de Fernando António Piteira Santos – jornalista para António Ferreira Gomes - bispo do Porto exilado informando que “As notícias que ultimamente temos recebido de Porto, tornam claro que de mês para mês se tem vindo a agravar as medidas de violência e terror de que são vítimas todos os que ousam discordar da política governamental e…os presos políticos portugueses.”; prossegue descrevendo alguns destes casos:
• “Agostinho Saboga, operário vidreiro da Marinha Grande, com a pena de prisão a que foi condenado, cumprida e mais de 12 anos passados nos cárceres de Salazar, encontra-se à porta da morte…e a PIDE recusa-se a libertá-lo.”
• “Mais de uma centena de individualidades democráticas portuguesas, dirigiram em Novembro, ao Presidente da República um longo documento em que criticam a política governamental…Dois dos signatários deste documento…já se encontram presos.”
• “…o escritor Stau Monteiro…(está) preso…”
Conclui solicitando umas “…palavras dirigidas pelo Bispo do Porto aos presos políticos, teriam o maior eco nas prisões…em todo o país…defendendo os princípios da liberdade em que todos acreditamos…”, Frente Patriótica de Libertação Nacional – Junta Revolucionária Portuguesa, Argel, 1966-12-15
Carta de António Ferreira Gomes bispo do Porto exilado para Fernando Piteira Santos - professor universitário exilado informando que recebera uma carta sua “…datada de 15 do corrente.”; comenta o conteúdo relativo a essa carta “…ninguém poderá ter dúvidas acerca dos meus sentimentos e ideias…nem era preciso que algumas das vítimas fossem católicos e até meus amigos pessoais…”
Afirma que teria “…possibilidades de reentrar no país, se resignasse a minha Sé…” e acusa “…eles tem tentado…fazer crer que eu me fiz…«bandeira dum partido», a fim de invalidarem o valor moral e eclesial do meu testemunho…”, com uma anotação"15-12-1966", Lourdes, [1966-12-15]
Carta de Fernando Piteira Santos - professor universitário exilado para António Ferreira Gomes - bispo do Porto exilado expressando a sua “…fraternidade como concidadão…(e) solidariedade…” com o bispo do Porto por ter sofrido da“…dura condição de expatriado.”; informa que leu num jornal belga que o bispo do Porto impunha uma condição para retornar a Portugal que é “…regressar como Bispo do Porto.”
Afirma que sob a “…presidência do Dr. Marcelo Caetano…” continuam a ser praticadas a “…tortura, nem foram libertados os presos políticos, nem foi autorizado o regresso dos exilados.”; indica que a nova presidência continua a depender “…do antigo aparelho repressivo.”; reporta também que as mesmas políticas mantêm-se “…a repressão fratricida, a mitologia mistificadora, o ultracolonialismo.”
Conclui manifestando a sua “…esperança…” do regresso do bispo do Porto a Portugal, Argel, 1968-12-16
Recorte de um jornal Comércio, contendo o artigo “Se Humberto Delgado foi assassinado os seus assassinos têm de se encontrar entre as pessoas que o acompanhavam”, com as anotações manuscritas a lápis “Comércio – 29/4/65” e “29/IV/65 – Comércio”, Madrid, [c. 1965-04-29]