Zona de identificação
Tipo de entidade
Forma autorizada do nome
Forma(s) paralela(s) de nome
- Ação Católica Portuguesa
- ACP
Formas normalizadas do nome de acordo com outras regras
Outra(s) forma(s) de nome
identificadores para entidades coletivas
Área de descrição
Datas de existência
Histórico
Formada, em 1933, pelo episcopado português, a Acção Católica Portuguesa (ACP) visava a articulação entre todas as organizações do laicado, preexistentes (caso da Liga da Acção Social Cristã, LASC, de 1907, e da Juventude Católica Feminina, uma sua secção que remontava a 1924) e as que entretanto fossem formadas, para atuação na sociedade de acordo os princípios católicos. A sua direção caberia ao cardeal patriarca de Lisboa (até 1971), por delegação do episcopado português. A dependência direta da hierarquia seria, aliás, uma das suas traves-mestras.
Unidade, coordenação, cooperação entre associações e obras, que manteriam autonomia de acordo com os respetivos estatutos, e especialização de acordo com sexo, idade e profissão seriam os princípios basilares. A distribuição territorial obedeceria à malha paroquial e diocesana. Num modelo de união, a atividade política era vedada, sem deixar de reivindicar e defender as liberdades da Igreja.
Inicialmente seriam previstas quatro organizações nacionais: Liga dos Homens da Acção Católica (LHAC); Associação da Juventude Católica Masculina (AJCM); Liga das Mulheres da Acção Católica (LMAC); e Associação da Juventude Católica Feminina (AJCF). A nomenclatura seria, em 1945, alterada para: Liga Católica (LC, na década de 1950); Juventude Católica (JC); Liga Católica Feminina (LCF e, mas, em 1934, Liga de Acção Católica Feminina, por transformação da LASC, acima referida) e Juventude Católica Feminina (JCF, anterior secção da LASC, agora integrada na nova estrutura). Estas quatro entidades superiores procediam à diferenciação por sexo e por idade, com os 30 anos ou o casamento a serem elementos determinantes.
A primeira daquelas entidades integraria as seguintes organizações masculinas de adultos acordo com a profissão ou setor de atuação (rural, escolar, independente, operário e universitário): Liga Agrária Católica (LAC); Liga Escolar Católica (LEC); Liga Independente Católica (LIC), Liga Operária Católica (LOC); e Liga Universitária Católica (LUC).
O esquema por meios ou profissões dominantes repetir-se para as mulheres adultas, sob a coordenação da LCF: Liga Agrária Católica Feminina (LACF); Liga Escolar Católica Feminina (LEC); Liga Independente Católica Feminina (LICF); Liga Operária Católica Feminina (LOCF); e Liga Universitária Católica Feminina (LUCF).
Para os jovens do sexo masculino, a JC coordenava: Juventude Agrária Católica (JAC); Juventude Escolar Católica (JEC); Juventude Independente Católica (JIC); Juventude Operária Católica (JOC); e Juventude Universitária Católica (JUC).
Para as jovens, a JCF integrava: Juventude Agrária Católica Feminina (JACF); Juventude Escolar Católica Feminina (JECF); Juventude Independente Católica (JICF); Juventude Operária Católica (JOCF, mas que em 1934 teria como denominação Juventude Profissional e Popular Católica Feminina); e Juventude Universitária Católica Feminina (JUCF). Seriam ainda previstos os Pequenos (até aos 7 anos), os benjamins e benjaminas (entre os 7 e os 10 anos) e as prés (até aos 14 anos).
Este geometrismo no plano nacional, de acordo com o meio, a idade e o sexo, implicava 20 organismos especializados e seria tendencialmente replicado nas dioceses e, finalmente, nas paróquias. Nestas, a existência de todos aqueles organismos seria, até pelas profissões dominantes, mais complexa. Os presidentes destes organismos seriam leigos, nomeados pela competente autoridade eclesiástica, isto é, e consoante o plano territorial, o episcopado português no seu conjunto, o bispo ou o pároco. Para a coordenação e direção das finalidades gerais da ACP, seriam formadas: uma Junta Central, para todo o território; Juntas Diocesanas, em cada diocese; Conselhos Paroquiais, num quadro mais específico. Também por essa razão, estava prevista a possibilidade de um conselho de leigos, de nomeação pelo pároco para promoção da ACP local. Por outro lado, LC, LCF, JC e JCF teriam uma direção nacional, enquanto os organismos especializados (LAC, LACF, JAC, JACF para o setor rural e as demais para os meios escolar, independente, operário e universitário) seriam geridos por uma direção geral.
Outras organizações assumiriam o estatuto de obras auxiliares. Seria o caso da Pia União dos Cruzados de Fátima, logo em 1934, ano em que foram publicados os estatutos das quatro organizações superiores (por idade e sexo), começando também a ser formados os organismos especializados. Também a Associação dos Jurisconsultos Católicos Portugueses e a Associação dos Médicos Católicos Portugueses teriam estatutos naquele ano. O Secretariado Económico e Social remontava logo a 1933 e o Secretariado do Cinema e da Rádio a 1938. A partir de 1944 decorreria um esforço de redefinição de regras gerais, para além da criação do Secretariado das Obras Auxiliares, destinado à coordenação dessas entidades que escapavam à geometria original, e teria regulamento no ano seguinte. Ainda no ano do final da guerra, seriam publicadas novas bases orgânicas, um único estatuto das organizações especializadas e um regulamento geral. Em 1953, as bases seriam de novo revistas.
Outras entidades seriam, entretanto, formadas na esfera da ACP. União Católica dos Industriais e Dirigentes do Trabalho (1952), Secretariado Nacional do Apostolado Familiar (1962) ou Movimento Nacional de Espiritualidade e Apostolado Familiar, Casais de Santa Maria (1963).
A adesão à ACP previa diferentes perfis: aspirantes, efetivos, militantes e dirigentes. Para além, claro, do cargo de assistente. A escolha dos responsáveis era realizada por via de nomeação direta (os presidentes) e de homologação (secretários, tesoureiros e vogais), a cargo do episcopado, claro.
Em junho de 1971 seriam aprovados novos princípios básicos e, em 1976, a Conferência Episcopal Português punha cobro à estrutura unitária da ACP. Os organismos agrários, operários e dos meios independentes, de adultos e de jovens, passariam, entretanto a ser mistos: Acção Católica Rural (ACR); Juventude Agrária Católica Rural (JARC); LOC; JOC; Acção Católica Independente (ACI). O Movimento de Educadores Católicos (MEC) substituiria a LEC: Nos meios estudantis, a fusão entre estudantes do secundário e do superior verificar-se-ia em 1982: Movimento Católico de Estudantes (MCE). Os processos de reconhecimento como organismos de ação católica não seria, contudo, pacífico.
Entre as iniciativas da ACP encontram-se as Semanas Sociais, iniciadas em 1940, e os Congressos, que se prolongaram até meados da década seguinte. Pelo meio, teria lugar a I Decenal da ACP (1944). Seguiram-se as Semanas de Estudo e outras modalidades, como Cursos ou Encontros. Anteriormente, mas com eventual menor impacto, tinham sido realizados os I e II Congressos Nacionais da JCF (1934 e 1942), assim como os Cursos de Alta Cultura Religiosa (desde 1945). Campanhas, questionários, inquéritos, círculos de estudo e campos de formação foram outras iniciativas, para além de jornais e boletins especializados, casos de O Trabalhador, Juventude Operária, Encontro ou Acção Médica.
Locais
Estado Legal
Funções, ocupações e atividades
Mandatos/fontes de autoridade
Estruturas internas/genealogia
Contexto geral
Área de relacionamentos
Área de pontos de acesso
Pontos de acesso - Assuntos
Pontos de acesso - Locais
Ocupações
Zona do controlo
Identificador de autoridade arquivística de documentos
Identificador da instituição
Regras ou convenções utilizadas
CONSELHO INTERNACIONAL DE ARQUIVOS — ISAAR(CPF): Norma Internacional de Registos de Autoridade Arquivística para Pessoas Colectivas, Pessoas Singulares e Famílias. Trad. Grupo de Trabalho para a Normalização da Descrição em Arquivo. 2.ª ed. Lisboa: Instituto dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo, 2004.
Estatuto
Nível de detalhe
Datas de criação, revisão ou eliminação
2026
Línguas e escritas
Script(s)
Fontes
Acção Católica Portuguesa: Boletim Oficial, 1934-1972.
FONTES, Paulo. Elites católicas em Portugal: o papel da Acção Católica Portuguesa (1940-1961). Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2011.
FONTES, Paulo F. Oliveira - A Acção Católica Portuguesa (1933-1974) e a presença da Igreja em Portugal. Lusitania Sacra. 6 (1994) 61–100.
GUIA da Acção Católica Portuguesa: bases, estatuto e regulamento geral. Vol. 1. 2.ª Ed. Lisboa: Tip. União Gráfica, 1954.
SANTOS, António dos - Revisão histórica da Acção Católica Portuguesa. Laikos. 4:10 (1980) 13–46.